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Cannes 2002
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Criado quinta-feira, 25 de Abril de 2002 |
Última actualização domingo, 26 de Maio de 2002 |
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55ª edição do Festival de Cannes terminou hoje
Por Vasco Câmara
26.05.2002
O júri da 55ª edição do Festival de Cannes, que terminou hoje, terá dado o prémio mais importante do palmarés, a Palma de Ouro, não ao pior filme em competição, mas certamente ao mais convencional. Mas também - e é natural que esse factor pesasse mais - àquele em redor do qual se podiam celebrar emoções efusivas, o “regresso” de Roman Polanski à ribalta, e dramáticas: a experiência do realizador como criança do Holocausto, que o filme convoca.
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Prémios são anunciados amanhã
Por Vasco Câmara
25.05.2002
É mesmo prudente contar com o último dia da competição, porque não é inédito aparecer um filme que obriga a baralhar para voltar a dar a lista dos favoritos. Na 55ª edição de Cannes, "L'Adversaire", de Nicole Garcia, é o adversário de "L'Homme sans Passé", do finlandês Aki Kaurismaki, ou de "Intervention Divine", de Elia Suleiman, os títulos que, de forma consensual, a imprensa neste festival apontava como os mais próximos da Palma de Ouro (ou dos outros prémios que a rodeiam).
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Filme de Gaspar Noé
Por Vasco Câmara
24.05.2002
O festival de Cannes foi abalado pelo choque. Duas sequências de choque, e uma das propostas mais estimulantes da competição, fazem de "Irréversible", de Gaspar Noé, um dos filmes incontornáveis da competição.
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Proletários e outros deserdados da sociedade estiveram nos últimos dias nos ecrãs de Cannes
Por Vasco Câmara
24.05.2002
É hábito deles aparecerem vindos do nada, do vazio de expectativas, e isso teve um efeito dramático, em 1999, com "Rosetta" - estava o festival de abalada para ir para casa quando apareceu uma proletária ferozmente decidida a encontrar o seu lugar, e ficou com a Palma de Ouro.
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Em "About Schmidt"
Por Vasco Câmara
22.05.2002
Certamente os cabelos brancos dão-lhe alguns privilégios, mas é a autoridade da voz, daquela voz que tem envelhecido com várias gerações de cinéfilos, que é irresistível. Jack desceu à cidade, Cannes. Já não pode andar à vontade na Croisette ("só de manhã cedo") como em 1974, ano em que recebeu o prémio de interpretação por "The Last Detail", de Hal Ashby. Mas pode haver uma repetição em 2002: um prémio de interpretação por "About Schmidt", de Alexander Payne.
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Spider
Por Vasco Câmara
21.05.2002
As últimas vezes que David Cronenberg passou por Cannes — como realizador de "Crash", em 1997, e como presidente do júri que deu a Palma de Ouro a "Rosetta", em 1999 —, ficaram pelo caminho os despojos de uma tempestade. Desta vez, vai ficar sobretudo a memória do papel de parede dos cenários ingleses de "Spider" (concurso).
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A fantasia e o humor são os fantasmas do desespero em "Intervenção Divina", concorrente palestiniano na competição
Por Vasco Câmara
20.05.2002
Sobe, sobe, o balão sobe, vai perturbar os soldados israelitas, sobrevoa a velha Jerusalém e, de cor vemelha orgulhosa, inchado com o rosto de Yasser Arafat, paira sobre a cúpula dourada da Mesquita de Al-aqsa, símbolo palestiniano dentro de Jerusalém. É a Intifada anunciada?
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Antevisão
Por Vasco Câmara
20.05.2002
Gritos, empurrões, Croisette em estado de sítio, uma estrela vestida com uma rede a cobrir o que podia ser roupa interior, e nada disto foi por causa de um filme. Foi por causa de vinte minutos de um filme que o mundo inteiro só vai ver a partir do Natal: "Gangs of New York".
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"Punch-Drunk Love", comédia romântica, é o filme experimental do realizador de "Magnólia"
Por Vasco Câmara
19.05.2002
Chamavam-lhe o "pudding guy". O nome dele era David Phillips, engenheiro civil da California. A revista Time descobriu-o e contou a sua história: David acumulou 1,25 milhões de milhas de voo ao comprar 12 150 embalagens de pudim de uma marca que fazia a promoção de uma companhia aérea. O realizador Paul Thomas Anderson descobriu essa história e quis conhecer o "pudding guy". Foi depois desse encontro que nasceu Barry Egan, sempre vestido de azul, sempre enfiado na garagem onde trabalha, protegido do sol que queima em San Fernando Valley, e agarrado ao telefone (a fazer o quê? a tratar de acumular milhas de voo, claro) E, muito certamente, ainda virgem.
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"Ten" na competição oficial
Por Vasco Câmara
19.05.2002
"Ten" porque é constituído por dez sequências da vida de seis mulheres iranianas. A câmara, digital, está, como habitualmente nos filmes de Abbas Kiarostami, dentro do carro, só que desta vez não filma o que se passa fora das janelas, mas o interior, quem vai sentado — ao volante ou no "lugar do morto". Isso muda um pouco as coisas: em vez do percurso sinuoso pelas estradas e pela realidade iranianas, temos sempre o mesmo ponto de vista, e sem possibilidade de escapar ao que as pessoas dizem.
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55º Festival de Cinema de Cannes
Por Vasco Câmara
19.05.2002
O reinado da delapidada Manchester sobre o império musical deveu-se ao facto de, algures na década de 80, ter tido a melhor música, a melhor discoteca e o melhor mestre de cerimónias. Tudo começou em 1976, numa actuação dos Sex Pistols para 40 espectadores, que ensaiavam desajeitadamente uma espécie de dança tribal, o "pogo". Entre eles, estava um apresentador de TV que citava com à-vontade Yates e Andy Warhol (o que já era original nesses dias) e que, no meio da confusão, teve uma ideia. Chamava-se Tony Wilson.
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Catherine Breillat, Marco Bellochio, Mike Leigh e Oliveira em Cannes
Por Vasco Câmara
17.05.2002
A angústia do guarda-redes antes do penalty — ou seja, um actor antes de filmar uma cena de sexo — e as "blasfémias" de um cineasta perante a Igreja. Sexo e religião, combinação previsível e, mais previsível ainda, com odor a escândalo. Mas afinal, "Sex is Comedy", da francesa Catherine Breillat, é uma divertida comédia, e "L'Ore di Religione", que chega de Itália depois de ter posto o Vaticano a vociferar, é um inesperado bom momento do italiano Marco Bellochio.E dos suplícios do prazer de Breillat aos suplícios infernais de "O Princípio da Incerteza", do português Oliveira. Antes disso, as lágrimas e os suspiros de uma família inglesa, por Mike Leigh, com "All or Nothing", que não tira do pódio outros filmes do realizador. É um roteiro das últimas 24 horas da 55ª edição de Cannes.
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Com "Bowling for Columbine"
Por Vasco Câmara
16.05.2002
Não parece tanto um documentário quanto uma operação de cerco. Começa assim, com uma voz off, como quem conta uma fábula: era um dia como outro qualquer na América, era um dia perfeito, o de 20 de Abril de 1999; "enquanto o presidente bombardeava uma região qualquer, daquelas de que nunca sabemos pronunciar o nome" — o Kosovo —, dois estudantes massacravam 13 pessoas antes de se suicidarem, no Columbine High School. Tinham começado o dia com a habitual partida de "bowling"...
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"Kedma", de Amos Gitaï, e "Intervention Divine", de Elia Suleiman
Por Vasco Câmara
16.05.2002
Um filme israelita hoje, "Kedma", de Amos Gitaï; um filme palestiniano dentro de dias, "Intervention Divine", de Elia Suleiman (uma descoberta, em 96, no Festival de Veneza com um maravilhoso "Crónica de um Desaparecimento", promete ser agora uma das revelações do concurso de Cannes). À partida, podia pensar-se que cada um está do lado oposto de uma barricada. Errado. Gitaï e Suleiman são amigos, tendo inclusivamente trabalhado juntos, e a cumplicidade entre ambos advém-lhes do facto de cada um questionar a sua identidade, habitar de forma inquieta e angustiada essa barricada.
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Woody Allen na abertura da 55ª edição de Cannes
Por Vasco Câmara
15.05.2002
Os actores esforçam-se mas soam a falso, o argumento não convence, os espectadores saíram furiosos, a crítica americana foi sarcástica, enfim, atirar as bobines ao mar é a forma mais digna de acabar com tudo. A verdade, e pouca gente sabe, é que Val Waxman dirigiu o filme, "A Cidade não Dorme", em estado de cegueira psicossomática... Tudo parecia perdido, mas eis senão quando... os críticos franceses descobrem em "A Cidade não Dorme" a obra-prima do realizador, que assim regressa do limbo dos esquecidos para ser entronizado no altar dos "auteurs". E assim, Val, que entretanto até ganhou de volta a ex-mulher, parte para Paris, Europa, de boina negra muito Quartier Latin. Ainda bem que os franceses existem!, diz ele com alívio.
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Um final à Hollywood no início de Cannes
Por Vasco Câmara
14.05.2002
Vai começar como se fosse acabar e vai acabar como se estivesse a começar. "Hollywood Ending", de Woody Allen, abre amanhã, fora de competição, a 55ª edição do Festival de Cannes, que termina no dia 26 com as cortinas a abrirem sobre "And now... ladies and gentlemen", de Claude Lelouch.
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Festival decorre de 15 a 26 de Maio, com "Hollywood Ending", de Woody Allen, a abrir
Por Vasco Câmara
25.04.2002
As agências noticiosas têm utilizado a imagem dos aromas vinícolas: diz-se que Cannes 2002, cuja programação oficial foi ontem anunciada em Paris, apresenta um "bouquet francês, com fortes aromas anglo-saxónicos e um perfume mediterrânico, numa cuba que casa a militância política, a exigência estética e o sabor espumante e ligeiro do glamour e das estrelas". Foi assim descrita, pela AFP, a 55ª edição do festival, que este ano se realiza de 15 a 26 de Maio.
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"O Princípio da Incerteza" em competição
13.05.2002
Manoel de Oliveira é já uma presença assídua no Festival de Cannes. Três anos depois de ter conquistado o Prémio do Júri com o filme "A Carta" e apenas um ano depois de ter surpreendido a crítica com "Vou para Casa" — um dos filmes favoritos ao palmarés do ano passado —, Oliveira volta a estar presente na selecção oficial com a sua última longa-metragem, "O Princípio da Incerteza" (ainda inédito nas salas de cinema).
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Júri das curtas presidido por Scorsese
13.05.2002
David Lynch, o conhecido realizador norte-americano, vai presidir este ano ao júri que avaliará as 21 longas-metragens em competição na 55ª edição do Festival de Cannes. Lynch venceu a Palma de Ouro em 1990 com o filme "Coração Selvagem" e, no ano passado, conquistou, ex-aequo com Joel Coen, o Prémio de Melhor Realizador com "Mulholland Drive", a sua história de amor na cidade dos sonhos.
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Cinéfondation
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Júri das Curtas-Metragens e da Cinéfondation
É o júri responsável pela avaliação e atribuição dos prémios das secções Cinéfondation e das curtas-metragens em competição na Selecção Oficial.
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Júri das Longas-Metragens
É este o júri que avalia as 21 longas-metragens em competição da Selecção Oficial, atribuindo a Palma de Ouro e os restantes prémios principais do certame.
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Filmes da Quinzena
A Quinzena dos Realizadores é um autêntico festival dentro do Festival de Cannes. Nasceu em 1969, na sequência do boicote ao festival oficial durante os acontecimentos de Maio de 68. Foi criada sob a responsabilidade da Sociedade dos Realizadores de Filmes e sob o lema "todos os filmes nascem livres e iguais". É um espaço de liberdade, sem competições nem censura, e uma vitrine de todas as cinematografias mundiais. O evento tem também funcionado como trapolim para muitos cineastas desconhecidos. Foi aqui que o cineasta português Manoel de Oliveira apresentou o seu primeiro filme no certame, “Francisca”, em 1981. Este ano, a “Quinzaine” apresenta um programa composto por 22 longas-metragens, assinadas por realizadores dos vários cantos do mundo, entre os quais Werner Schroeter, Lynne Ramsay e Catherine Breillat. Este programa será ainda complementado pela exibição de seis curtas-metragens e vários filmes experimentais.
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Filmes da Semana da Crítica
A Semana da Crítica foi criada em 1962 pelo Sindicato Francês dos Críticos de Cinema, uma organização que tem como objectivo assegurar a liberdade da informação e da crítica e defender a arte cinematográfica. É a mais antiga das secções paralelas do Festival de Cannes e nela são apresentadas primeiras e segundas obras. Apesar de ser a menos mediatizada do certame, já serviu de trapolim para inúmeros realizadores, tais como o italiano Bernardo Bertolucci, os franceses Leos Carax e Arnaud Desplechin e o português António da Cunha Telles, que aí estreou mundialmente "O Cerco", em 1970. Este ano, o padrinho da “Semaine” é Barbet Schroeder (cujo penúltimo filme, “Nossa Senhora dos Matadores", estreou recentemente em Portugal), que nesta secção apresentou, em 1969, o seu primeiro filme: “More”. O seu último filme, “Murder by Numbers”, faz parte das longas-metragens da Selecção Oficial que vão ser apresentadas fora de competição.
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Longas-Metragens fora de Competição
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Júri da Caméra d’Or
O júri da Caméra d'Or premeia a melhor de todas as primeiras obras exibidas em todas as categorias do certame.
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Curtas-Metragens em Competição
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Longas-Metragens em Competição
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