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Mutilação genital feminina
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Criado domingo, 4 de Agosto de 2002 |
Última actualização sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009 |
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Discussão na Assembleia da República
Por Sofia Branco
05.03.2004
O projecto de lei do CDS-PP que pretende especificar como crime a mutilação genital feminina (MGF) saiu hoje da discussão em plenário da Assembleia da República sem condições para ser aprovado na próxima quinta-feira. Muito provavelmente, os populares recuarão até na decisão de o submeter a votação, devendo a iniciativa baixar à 1ª Comissão.
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Projecto exclui excisão do ritual de iniciação feminina na Guiné-Bissau
Por Sofia Branco
16.11.2003
Em Bissaque, um dos muitos bairros de Bissau, o sol queima como só em África pode queimar. A humidade entranha-se no corpo e embacia os olhos. As gotas de suor brilham nos rostos das 215 fanadozinhos (nome dado às iniciadas) que saem da Baraca Malgóss (crioulo para barraca amarga, lugar sagrado interdito a pessoas alheias ao fanado, o ritual de iniciação).
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Mutilação Genital Feminina
Por Sofia Branco
04.08.2002
Mesquita de Lisboa, duas da tarde de uma sexta-feira, dia sagrado para os muçulmanos. Envergando uma túnica larga em tons de amarelo e preto que deixa por vezes ver a nudez interior, a fanateca [nome guineense dado à mulher que pratica a excisão] diz de imediato que não está disposta a revelar nem denunciar o ritual feminino que implica o corte do clítoris. Fala da "vergonha" que seria um filho seu ver a prática exposta num jornal e, com isso, perder o carácter secreto que lhe está ligado.
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Pedido já foi rejeitado duas vezes
Por Sofia Branco
18.05.2003
Susan chegou a Portugal em Junho de 2002. Dois meses depois a queniana pedia asilo, alegando ter fugido à mutilação genital feminina. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), primeiro, e o Comissariado Nacional para os Refugiados, depois, rejeitaram o pedido. Susan continua em Lisboa, ilegal, sem dinheiro e sem trabalho, à espera de uma decisão do tribunal.
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Não há qualquer inquérito em curso no Ministério Público
Por Sofia Branco
27.12.2002
Durão Barroso garantiu que o Governo não deixará "passar" em claro a "barbaridade denunciada em Agosto [PÚBLICO, 4-8-2002], que alertava para a possibilidade de em Portugal estar a ser regularmente praticada a mutilação genital sobre alguma população feminina de origem africana".
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Apenas doze países africanos têm leis ou recomendações que proíbem a MGF
Por Sofia Branco
04.08.2002
A Organização Mundial de Saúde aconselha os "países onde a mutilação genital feminina não é uma prática tradicional" a estarem "alerta" face à possibilidade de o ritual "ser praticado por comunidades imigrantes".
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Ministro da Presidência fala de "fortes indícios"
Por Sofia Branco
01.02.2003
O ministro da Presidência informou que o Ministério da Administração Interna (MAI) está a investigar a possibilidade de a mutilação genital feminina (MGF) estar a ser praticada em território nacional. No entanto, Morais Sarmento adiantou que o Governo não tem conhecimento de casos concretos e confirmou que não existem “queixas” ou “denúncias”.
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"Tolerância zero" contra a prática
Por Sofia Branco
04.02.2003
A capital da Etiópia, Addis Abeba, foi o local escolhido para uma conferência internacional de três dias sobre a mutilação genital feminina (MGF). Responsáveis dos Governos africanos e representantes de organizações internacionais vão, mais uma vez, exprimir uma atitude de "tolerância zero" contra a prática que afecta anualmente dois milhões de mulheres.
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07.02.2003
Preocupada com os valores que indicam que entre cem a 130 milhões de mulheres são sujeitas anualmente à mutilação genital feminina (MGF), a Unicef apelou aos Governos a tomarem as medidas necessárias para acabar com a prática.
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Por Ricardo Dias Felner
15.02.2003
O grupo parlamentar do CDS-PP vai apresentar para a semana, na Assembleia da República, um projecto de lei que penaliza o crime de mutilação genital feminina com dois a dez anos de prisão.
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20.02.2003
A proposta do CDS-PP sobre mutilação genital feminina (MGF) gerou consenso entre os grupos parlamentares com assento em São Bento. Isabel Gonçalves apresentou o texto em plenário justificando a iniciativa com “a crescente disseminação desta prática” na Europa e em Portugal, conclusão suportada por “dados seguros junto de comunidades imigrantes no país”.
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Investigação publicada no "British Medical Journal"
Por Sofia Branco
10.06.2003
Apesar de ser proibida por lei, a mutilação genital feminina continua a ser praticada no Sudão, um dos países africanos com um índice de prática mais elevado, indica uma investigação conduzida a estudantes da Universidade de Cartum e reproduzida no "British Medical Journal".
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Criminalizar a mutilação genital feminina faz parte das iniciativas
Por Sofia Branco
13.06.2003
O II Plano Nacional Contra a Violência Doméstica foi hoje aprovado, em reunião do Conselho de Ministros. Com validade entre 2003 e 2006, o projecto estabelece sete grandes áreas de actuação para combater todas as formas de agressão contra mulheres, entre as quais a mutilação genital feminina.
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Reunião sobre o tema no Cairo termina hoje
Por Sofia Branco
23.06.2003
A reconversão dos excisadores e a mudança de mentalidade dos jovens são essenciais para eliminar a prática da mutilação genital feminina (MGF), defendeu hoje a representante do Banco Mundial para a região de África.
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E Agora?
A primeira tentativa de legislar sobre a mutilação genital feminina (MGF) fracassou antes mesmo da votação. Todos os partidos da oposição e o PSD manifestaram-se contra uma criminalização específica da prática, porque, entre outras razões, o Código Penal já a prevê e pune com prisão. Aprovada ou rejeitada, a pergunta que se impõe é: e agora?
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Jornalista do PUBLICO.PT distinguida com o prémio José Manuel Cabral
A Comissão Nacional da Declaração Universal dos Direitos do Homem atribuiu hoje à jornalista do PUBLICO.PT Sofia Branco e a Sandra Claudino, da RDP África, o Prémio de Jornalismo 2003/Comandante José Manuel Cabral.
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Estudo-piloto sobre excisão feminina revela desconhecimento médico
O primeiro estudo realizado em Portugal sobre mutilação genital feminina (MGF), dirigido aos profissionais de saúde, revela um grande desconhecimento acerca desta prática, sendo bastante elevada a percentagem de inquiridos que não responde ou não tem opinião sobre variadas questões.
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Jornalista do PUBLICO.PT vence prémio Natali de defesa dos direitos humanos
A jornalista do PUBLICO.PT Sofia Branco recebeu hoje o Prémio Natali da Federação Internacional de Jornalistas e da Comissão Europeia, pela reportagem "Mutilação Genital Feminina - o holocausto silencioso das mulheres a quem continuam a retirar o clítoris". A distinção premeia trabalhos jornalísticos na área dos direitos humanos e do desenvolvimento.
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Prémio AMI - Jornalismo Contra a Indiferença: Jornalista do PUBLICO.PT obtém menção honrosa
Os jornalistas Jorge Araújo, com um trabalho publicado na revista "Visão", e Jorge Almeida, com uma reportagem mostrada na RTP, são amanhã distinguidos com o Prémio AMI - Jornalismo Contra a Indiferença, numa cerimónia que decorre em Lisboa. A jornalista do PUBLICO.PT Sofia Branco vai receber uma menção honrosa pelo seu trabalho sobre a mutilação genital feminina.
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Jornalista do PUBLICO.PT vence prémio "Jornalismo pela Tolerância" 2002
A jornalista do PUBLICO.PT Sofia Branco foi esta noite distinguida com o Grande Prémio Imigração e Minorias Étnicas: Jornalismo pela Tolerância 2002, pelo trabalho “Mutilação genital feminina — O holocausto silencioso das mulheres a quem continuam a extrair o clítoris”.
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Jornalista do PUBLICO.PT recebe Prémio Mulher Reportagem Maria Lamas 2002
A jornalista do PUBLICO.PT Sofia Branco recebe amanhã o Prémio Mulher Reportagem Maria Lamas 2002 pelo trabalho “Mutilação genital feminina — O holocausto silencioso das mulheres a quem continuam a extrair o clítoris”. A cerimónia vai ter lugar às 18h00, na Sociedade Portuguesa de Autores.
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Resolução do Parlamento Europeu sobre Mutilações Genitais Femininas
http://www3.europarl.eu.int/omk/omnsapir.so/pv2?PRG=DOCPV&APP=PV2&LANGUE=PT&SDOCTA=8&TXTLST=1&POS=1&Type_Doc=RESOL&TPV=PROV&DATE=200901&PrgPrev=TYPEF@A5|PRG@QUERY|APP@PV2|FILE@BIBLIO01|NUMERO@285|YEAR@01|PLAGE@1&TYPEF=A5&NUMB=1&DATEF=010920
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"Apelo Solene" contra excisão pode ser subscrito online
O "apelo solene" contra a mutilação genital feminina (MGF) elaborado pela campanha "STOP FGM" [na sigla em inglês], lançada oficialmente no passado dia 10 de Dezembro, data do aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, já pode ser subscrito "on-line", no portal www.stopfgm.org.
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"O combate à excisão ainda não está na lista das prioridades políticas"
O combate à mutilação genital feminina deve ser uma prioridade política e é um dever moral para quem se preocupa com os direitos humanos, defende Emma Bonino. Sem apontar o dedo e sem cair no relativismo multicultural. Eliminar a mutilação genital feminina (MGF) do planeta passa pela prevenção e pela vigilância, diz a eurodeputada italiana. Promotora da conferência de dois dias sobre o tema, que decorreu recentemente em Bruxelas, a presidente do Partido Radical italiano promete continuar a ser a voz, no Parlamento Europeu, das mulheres que vivem de perto com a excisão feminina.
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Campanha mundial para eliminar a mutilação genital feminina lançada em Bruxelas
Eliminar a mutilação genital feminina e unir esforços no combate às práticas tradicionais nefastas foram os objectivos que uniram uma centena de especialistas e observadores durante dois dias no Parlamento Europeu. Ao mesmo tempo, foi lançada uma campanha mundial de recolha de assinaturas.
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Eurodeputadas portuguesas na Comissão dos Direitos da Mulher defendem prevenção
Mais do que uma lei específica sobre a mutilação genital feminina, são necessárias medidas de prevenção e campanhas de sensibilização. Esta é a posição das três eurodeputadas portuguesas que fazem parte da comissão dos direitos da mulher do Parlamento Europeu, que, apesar de pertencerem a forças políticas diferentes, defendem linhas de actuação bastante semelhantes e reconhecem que, na prática, ainda há muito fazer no campo dos direitos femininos.
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Resposta do Xeque David Munir à carta aberta de Abdullah Al-Taher
Caro Irmão Abdullah Al Taher Assalamo Aleikum (Que a paz de Deus esteja consigo) Agradeço as preocupações que manifestou na “Carta aberta ao Xeque Munir” que me endereçou através do jornal Público de 21 de Setembro, e que, aliás, foi também publicada na revista Al Furqán, na sua edição de Julho/Agosto de 2002. Gostaria, em primeiro lugar, de esclarecer que eu não sou “líder espiritual”, nem “líder da Comunidade Islâmica de Lisboa”, como menciona. Sou teólogo Islâmico e o Imã da Mesquita Central de Lisboa e é nesta qualidade que me têm sido dirigidos convites para clarificar alguns aspectos do Islão que são muitas das vezes apresentados de forma controversa.
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Carta aberta ao Xeque David Munir, por Abdullah Al-Taher
Algumas perguntas ao Imã da Mesquita de Lisboa, Xeque David Munir. Face ao insuportável, incomodativo silêncio que o rodeia face a qualquer questão que envolva a Comunidade de que V. Exª é o líder espiritual, face à sua (prudente) reserva perante assuntos delicados (usando palavras suas) que trazem a prática do Islão, neste país, para as primeiras páginas da imprensa e da opinião pública. Perante polémicas e ataques crescentes, onde as vozes mais contundentes e agressivas são as mesmas que usam o nome de V. Exª para o elogiar e aplaudir, perante, como teve a gentileza de me explicar, a sua deliberada ausência de uma atitude pública de intervenção e esclarecimento, não resisto a, humildemente, lhe colocar as perguntas que se seguem.
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Mutilação Genital Feminina: a cultura da indiferença e as diferenças culturais, por Alexandra Oliveira
De férias num PALOP ouvi pela RDP África que o PÚBLICO, na sequência duma investigação, denunciava a prática da mutilação genital feminina entre a comunidade guineense muçulmana a residir em Portugal (edição de 4.8.2002). Escandalizei-me e lamentei a minha ausência do movimento colectivo de indignação. Ao chegar, desenganei-me. O país estava a banhos e os neurónios também precisam de descanso. No calor da areia, a nossa indiferença constrói-se à sombra da esperança de que as fanatecas, apesar das diferenças culturais, também tirem férias para que as meninas de origem guineense da comunidade muçulmana possam ir felizes para a praia.
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Esclarecimento islâmico sobre a circuncisão das raparigas, por Mahomed Yiossuf Mohamed Adamgy
Publicou o jornal "Público" de 10 de Agosto de 2002 um artigo intitulado "Do direito à diferença à estratégia da indiferença", da autoria de Helena Matos, onde a dado passo se fala da prática de excisão feminina ligada ao Islão.
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Religiões de machos, por Daniel Deusdado
No Senegal, uma mulher pode ser apedrejada até à morte porque "adulterou" - que diferença fará para o caso se era ou não realmente casada? No Paquistão, é punida com uma violação em grupo por culpas suas ou de terceiros - são chamados os líderes espirituais para executarem a sentença. Na África profunda, ficam sem o clitóris para não perturbarem os machos com o seu prazer. No Afeganistão, ou noutros quadrantes do fanatismo islâmico, passam uma vida inteira sem rosto e chegam mesmo a não ser tratadas num hospital por não existirem médicas. Na milionária Arábia Saudita, estão proibidas de conduzir. Na China, são abandonadas na infância, porque nasceram com o sexo desprezado pelas famílias de "filho único obrigatório". Em Portugal, e noutros países mais profundamente católicos, podem ser metidas na cadeia se abortarem (desconhecendo-se também qualquer imputação ao pai do feto).
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O encontro com o “Deus vivo”, por Esther Mucznik
No domingo 11 de Agosto, mais de 20 mil pessoas participaram, em Lisboa e no Porto, em dois grandes momentos de culto-espectáculo da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), largamente divulgados pelos “media”.
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Do direito à diferença à estratégia da indiferença, por Helena Matos
No passado domingo, o PÚBLICO deu grande destaque a um dossier sobre a mutilação genital feminina. Entre os méritos deste dossier conta-se o de questionar o que, nesta matéria, se passa em Portugal. Tanto quanto se sabe, não se têm praticado excisões em Portugal. Mas do que se sabe doutros países, nomeadamente de Espanha e França, as autoridades só tomam conhecimento dos factos quando a mutilação leva a que a criança precise de ser hospitalizada.
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Excisão é crime em Portugal
Perante a possibilidade de a MGF ser praticada em Portugal, Paula Ribeiro de Faria, professora de Direito Penal na Universidade Católica do Porto, não hesitou em declarar que a prática constitui uma ofensa à integridade física grave, punível com pena de dois a dez anos de prisão, não se podendo recorrer à justificação de que se trata de uma tradição.
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Sinin Mira Nassiquê luta contra a MGF na Guiné-Bissau
A Sinin Mira Nassiquê é uma organização não-governamental (ONG) guineense que se dedica ao combate contra a MGF. Para tal, criou um projecto que tenta convencer as pessoas de que a prática é um problema de saúde pública. Tendo em conta a importância da fertilidade e da maternidade em África, a associação preocupa-se em demonstrar as consequências graves que a MGF pode implicar para a saúde das mulheres e dos seus bebés.
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Dados sobre a Guiné-Bissau e os guineenses em Portugal
A Guiné-Bissau já tinha travado conhecimento com o islão antes da chegada dos navegadores portugueses no século XVI. Foram os almorávidas que vieram do Norte de África que levaram a religião para a costa africana em 1402.
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Não há registo de casos de excisão nos hospitais e na polícia
Não há qualquer registo de casos de mutilação genital feminina nos relatórios das comissões de apoio à família e à criança dos hospitais D. Maria e D. Estefânia. O PUBLICO.PT contactou ainda as urgências pediátricas de várias unidades hospitalares e a resposta foi a mesma.
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Mariama recorda excisão
É com revolta que Mariama [nome pelo qual preferiu ser identificada] recua 41 anos na memória que tanto se esforça por apagar. Guineense, de etnia fula, muçulmana de educação, Mariama, que se opõe à mutilação genital feminina (MGF), é vista como uma "degenerada" pela família. Em conversa com o PUBLICO.PT, a guineense residente em Portugal aceitou contar como travou conhecimento com a MGF.
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Excisão não significa islão
As confusões entre excisão feminina e islão são frequentes, não havendo qualquer razão para a prática ser relacionada com os muçulmanos, pois o Corão nada diz sobre o assunto, embora existam alguns ahadith (palavras e acções atribuídas a Maomé) que a referem.
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Direitos e tradições, por José Manuel Fernandes
A investigação que publicamos a abrir esta edição é de cortar a respiração. O sofrimento por que passam, todos os anos, cerca de dois milhões de mulheres em todo o Mundo — sobretudo na África a sul do Sahara, mas também nalguns becos escondidos dos bairros negros de Lisboa — é difícil de imaginar. E é sobretudo difícil conceber como é possível que uma mistura de crenças, tradições e submissões se associem para que práticas como a mutilação genital feminina se mantenham em pleno século XXI.
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Perguntas e respostas sobre a mutilação genital feminina
Aquilo a que mais correntemente se chama excisão feminina — ou circuncisão feminina, o que não traduz uma ideia muito exacta das consequências para a saúde e sexualidade da mulher, por compará-la à circuncisão masculina — pode assumir três modelos, incluindo sempre alguma forma de mutilação genital.
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"Flor do Deserto", de Waris Dirie
O livro mais conhecido sobre o tema foi escrito pela modelo somali Waris Dirie, a primeira figura pública a admitir ter sido excisada e a avançar no combate à prática.
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"O Silêncio das Lágrimas", de Fauziya Kassindja
Em "O Silêncio das Lágrimas", a togolesa Fauziya Kassindja narra a sua história pessoal de fuga à "kakia" (nome togolês para a MGF). Depois de o pai morrer e de os tios (irmãos do pai) terem expulsado a mãe de casa e de se terem autoproclamado tutores de Fauziya e dos seus irmãos, a togolesa viu-se a um passo de casar com um homem muito mais velho, já com três esposas, e de ter de ser excisada.
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"Nove partes de desejo - O mundo escondido das mulheres islâmicas", de Geraldine Brooks
"Deus Todo-Poderoso criou o desejo sexual em dez partes; em seguida, deu nove partes à mulher e uma ao homem" Ali ibn Abu Taleb, fundador da seita xiita do islão e marido de Fátima, filha de Maomé
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Países que praticam a MGF
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