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Durão Barroso, que falava na conferência de imprensa que encerrou o encontro na Figueira da Foz, sustentou que "hoje na política abusa-se do qualificativo histórico", mas esta cimeira "vai ser recordada por muitos anos" devido "à inteligência estratégica dos dois países".
Também satisfeito se mostrou o seu homólogo espanhol, José Maria Aznar, para quem a cimeira "foi muito importante e teve um significado especial", uma vez que foi a última cimeira ibérica em que participou. "Portugal e Espanha estão num marco histórico das suas relações", disse Aznar, acrescentando que se está "a mudar de espírito de mentalidade".
Quanto aos acordos já delineados entre os dois países e os que virão no futuro, os primeiros-ministros mostraram-se convictos de que as áreas energéticas serão uma das matérias de interesse que Portugal e Espanha pretendem partilhar. "É lógico que o mercado se aprofunde e desenvolva noutras áreas da energia", disse Durão Barroso, secundado por Aznar, que considerou que "depois da sinergia" no Mercado da Electricidade, se irá "começar a trabalhar noutras áreas", tendo em conta "o espaço geográfico partilhado" pelos dois países e os 53 milhões de cidadãos abrangidos.
Quanto ao Mibel, o chefe de Governo português disse que "todos os problemas pendentes" sobre a matéria "ficaram resolvidos" na cimeira, com os dois governos a estabelecerem que o início do funcionamento deste mercado ibérico da electricidade ocorrerá no dia 20 de Abril de 2004. Para que o MIBEL seja dotado de cobertura jurídica, em 20 de Janeiro, em Lisboa, será assinado um contrato bilateral, cerimónia que contará com a presença dos dois responsáveis.
Sublinhando a importância deste acordo, Durão e Aznar mostraram-se convictos de que o incremento das parcerias entre os dois países contribui para o reforço da economia europeia.
"Devemos deixar funcionar o mercado. O mercado interno europeu será uma realidade e, a menos que haja uma catástrofe, o mercador europeu será cada vez mais integrado", disse o primeiro-ministro português, sublinhando que o desafio que deixa aos empresários nacionais é: "preparem-se!".
Aznar acrescentou que o seu país não tem qualquer resistência ao investimento português na Espanha, dizendo mesmo aos empresários portugueses: "venham!".
Calendarização dos Transportes de Alta Velocidade é um dos resultados "mais importantes" da cimeira
Os chefes de Governo de Portugal e Espanha realçaram ainda que a definição e calendarização dos Transportes de Alta Velocidade (TAV) constituiu um dos resultados "mais importantes" da cimeira.
No encontro ficou decidida a construção de quatro corredores, que irão ligar Porto-Vigo, Aveiro-Salamanca, Lisboa-Madrid e Faro-Huelva. O desenvolvimento temporal das referidas conexões será feito de forma faseada, seguindo um calendário estabelecido: 2010 para a ligação Lisboa-Madrid, 2009 para a ligação Porto-Vigo, 2015 para o corredor Aveiro-Salamanca, sendo que o traçado Faro-Huelva será planeado em função dos resultados dos estudos a desenvolver, por forma a que esteja concluída antes de 2018.
No que respeita aos traçados Lisboa-Madrid e Porto-Madrid, ficou decidido que o percurso não demorar mais do que 02h45 horas.
Durão Barroso anunciou ainda que o Governo vai apresentar o Plano Estratégico Ferroviário para o Século XXI na segunda-feira, sublinhando que as decisões incluídas nesse documento representam a "solução perfeita".
Recusando divulgar os pormenores do plano, a ser apresentado na pelo ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues, o primeiro-ministro afirmou, no entanto, que as soluções que serão adoptadas "servem plenamente" o objectivo de criar um equilíbrio entre as diferentes regiões de Portugal, em particular entre o Norte e Sul.
Questionado sobre o financiamento necessário para colocar em prática o plano em período de contenção orçamental, Durão Barroso assegurou que existem parcerias com a Refer, com empresas privadas e 20 por cento do Orçamento de Estado.
Ainda segundo o chefe de Governo, a concretização das decisões estabelecidas irá representar um aumento em 2,8 por cento do PIB, criar cerca 91.500 postos de trabalho, beneficiar 81 por cento da população e implicar um esforço do país na ordem dos 650 milhões de euros por ano.
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