• 09 de Fevereiro de 2010
  • 11º - 16º Lisboa
  • Envie-nos uma pergunta sobre um problema da sua rua, bairro ou cidade
  • Houston, temos um problema, disse Obama
  • A cidade que morre quando o sol se põe

Processo Apito Dourado
Criado terça-feira, 20 de Abril de 2004
Última actualização terça-feira, 13 de Novembro de 2007
 
Manuel de Almeida/Lusa (arquivo)
Luís Filipe Viera

Turbulência no futebol
Apito Dourado: escutas apanharam Luís Filipe Vieira a escolher árbitros para o Benfica
08.09.2006
As escutas do processo Apito Dourado revelam que Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica, se envolveu directamente na escolha do árbitro do jogo das meias-finais da Taça de Portugal da época de 2003/2004 em que o Benfica ganhou ao Belenenses por 3-1. Esse jogo foi arbitrado por João Ferreira, de Setúbal, na sequência da nomeação acertada num telefonema entre Valentim Loureiro e o presidente dos encarnados. Nessa conversa, Luís Filipe Vieira começa por se queixar pelo facto de o árbitro nomeado para o jogo já não ser Paulo Paraty, conforme havia sido anunciado por Pinto de Sousa, à data presidente do Conselho de Arbitragem da Federação, a um advogado com ligações ao Benfica.
 

A discussão foi acesa, com Valentim a esforçar-se por apaziguar os ânimos do dirigente e sugerir-lhe nomes de árbitros para substituir Paraty. Vieira, que diz não ter "preferência" por "ninguém", acaba por recusar o nome de quatro internacionais - "não me dá garantias", disse de alguns deles. A solução acabou por ser João Ferreira, o árbitro que amanhã estará no arranque do campeonato para os da Luz, quando defrontarem o Boavista no Bessa (ver texto na página seguinte).

As escutas telefónicas estão apensas ao processo principal do Apito Dourado, mas Cunha Vaz, responsável pelo gabinete de imprensa do Benfica, negou a sua existência. "O sr. Luís Filipe Vieira nunca falou com Valentim Loureiro por causa dos árbitros da Taça. Isso é mentira, até porque quem os nomeava era a Federação. O Benfica nunca escolheu qualquer árbitro", assegurou. Valentim Loureiro, por sua vez, não se disponibilizou para prestar qualquer esclarecimento.

Vieira irritado ao telefone
15 de Março de 2004. Paulo Paraty tinha arbitrado o jogo do Belenenses-Nacional para o campeonato. Por esse motivo, não podia ser indicado para o jogo da Taça, que ocorreria dois dias depois, obrigando Pinto de Sousa, que, à data, liderava o Conselho de Arbitragem, a procurar outra opção. Pinto de Sousa tentaria contactar Vieira para justificar a mudança, mas o dirigente benfiquista deixou de lhe atender o telefone, o que acabaria por levar Valentim Loureiro a envolver-se num jogo que estava fora da alçada da Liga.

"Disseram-me que era o Paulo Paraty o árbitro... Agora dizem-me à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty por causa do Belenenses", lamentava-se Vieira a Valentim, enquanto respondia às sugestões dadas por este. "Não quero Lucílio nenhum! (...) O António Costa?! F... Isso é tudo Porto! (...) O Duarte, nada, zero! (...) O Proença também não quero!".

Só o nome de João Ferreira agradou ao presidente do clube da Luz. "O João pode ser", disse, depois de conhecer os candidatos possíveis. A lista era reduzida, porque Pinto de Sousa considerava que o jogo tinha de ser apitado por um árbitro internacional e havia-o dito a Vieira e a Valentim Loureiro.

Nesta conversa com o presidente da Liga, Luís Filipe Vieira estava visivelmente irritado. E confessou a Valentim Loureiro que tinha sido informado de que o árbitro seria Paulo Paraty duas ou três semanas antes. O nome agradava-lhe e a sua substituição foi atribuída a uma manobra do FC Porto, cujo presidente, Pinto da Costa, "controlava tudo", na opinião de Luís Filipe Vieira. No entendimento do dirigente benfiquista, Pinto da Costa decidira até que quem arbitraria o Braga-Porto, também para as meias-finais da Taça, seria Bruno Paixão. "O Bruno Paixão, em Gil Vicente, eu estendi-lhe a mão para o cumprimentar, não me cumprimentou! Como é que esse gajo [Pinto de Sousa] vai nomear esse gajo para apitar?", perguntava Luís Filipe Vieira, não escondendo a indignação e deixando clara a ameaça: "Eu não sou como o Dias da Cunha. (...) Eu vou [à RTP] fazer alguns alertas para o futebol português".

Pinto de Sousa explica-se
Minutos depois, um novo telefonema de Valentim Loureiro a Pinto de Sousa é revelador. O segundo desculpa-se ao presidente da Liga por não ter indicado Paulo Paraty. Este árbitro havia sido sorteado para o jogo da Liga, também com o Belennenses, o que o levou a aceitar a indicação de Vieira e nomear João Ferreira para a Taça.

Ainda na mesma conversa, Pinto de Sousa conta a Valentim que a promessa de que Paulo Paraty seria o escolhido tinha sido feita inicialmente a João Rodrigues (um advogado com ligação ao Benfica), duas ou três semanas antes. Mas assegurou que a nomeação para o campeonato acontecera apenas porque se tinha esquecido de avisar Luís Guilherme, o responsável pela gestão da arbitragem para os jogos da Liga.

Sobre a possibilidade levantada por Luís Filipe Vieira de que o Porto teria escolhido o árbitro para a sua própria meia-final, Pinto de Sousa desmentiu-o. E explicou: "Foi um pedido do Salvador (presidente do Braga). Não indicar nem o Olegário, nem o António Costa".



Partes das escutas telefónicas onde é interveniente Luís Filipe Vieira. Os seus interlocutores são Valentim Loureiro e Pinto de Sousa

Luís Filipe Vieira (LFV) - Eu não quero entrar mais em esquemas nem falar muito... (...)
Valentim Loureiro (VL) - Eu penso que ou o Lucílio... o António Costa, esse Costa não lhe dá... não lhe dá nenhuma garantia?
LFV - A mim?! F.., o António Costa? F... Isso é tudo Porto!
VL - Exacto, pronto! (...) E o Lucílio?
LFV - Não, não me dá garantia nenhuma o Lucílio!
VL - E o Duarte?
LFV - Nada, zero! Ninguém me dá!... Ouça lá, eu, neste momento, é tudo para nos roubar! Ó pá, mas é evidente! Mas isso é demasiado evidente, carago! Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty! Agora, dizem-me a mim, que não tenho preferência de ninguém (...) à última hora, vêm-me dizer que já não pode ser o Paulo Paraty, por causa do Belenenses.


Pinto de Sousa - A única coisa que eu tinha dito ao João Rodrigues é o seguinte... É pá, há quinze [dias] ou três semanas, ele perguntou-me: "Quem é que você está a pensar para a Taça?"... Eu disse: "Estou a pensar no Paraty"...
VL - Bem, o gajo está f... (...) O Paraty então não consegues, não é?
PS - O Paraty não pode ser. (...) Até para os árbitros restantes, diziam assim: "É pá, que diabo, este gajo tem tantos internacionais e não tem mais nenhum livre, pá?!". (...)
VL - Eu nem dá para falar muito ao telefone, que ele começa para lá a desancar. (...) Mas qual é o gajo que o Porto não quer?! O Porto quere-os todos, pá! Qualquer um lhe serve!
PS - É... Por acaso é verdade...
VL - O Porto quer lá saber disso!
PS - Se é o Lucílio... Se fosse o Lucílio, era o Lucílio, se fosse o António Costa, era o António Costa...
VL - Ao Porto qualquer um serve!


mais notícias
13.11.2007
31.10.2007
24.07.2007
23.06.2007
22.06.2007
22.06.2007
22.06.2007
21.06.2007
19.06.2007
19.06.2007
14.06.2007
18.05.2007
19.04.2007
17.04.2007
21.03.2007
06.03.2007
06.03.2007
06.03.2007
06.03.2007
06.03.2007
22.02.2007
30.01.2007
30.01.2007
30.01.2007
29.01.2007
29.01.2007
29.01.2007
29.01.2007
29.01.2007
20.12.2006
18.12.2006
13.12.2006
13.12.2006
13.12.2006
27.09.2006
27.09.2006
26.09.2006
26.09.2006
26.09.2006
26.09.2006
25.09.2006
25.09.2006
22.09.2006
20.09.2006
14.09.2006
14.09.2006
13.09.2006
13.09.2006
12.09.2006
09.09.2006
08.09.2006
08.09.2006
08.09.2006
06.09.2006
06.09.2006
04.09.2006
23.09.2005
27.05.2005
19.01.2005
19.01.2005
21.12.2004
18.12.2004
11.12.2004
07.12.2004
07.12.2004
07.12.2004
07.12.2004
07.12.2004
04.12.2004
03.12.2004
03.12.2004
03.12.2004
03.12.2004
03.12.2004
03.12.2004
03.12.2004
03.12.2004
02.06.2004
25.05.2004
14.05.2004
06.05.2004
02.05.2004
01.05.2004
28.04.2004
27.04.2004
26.04.2004
26.04.2004
25.04.2004
25.04.2004
24.04.2004
24.04.2004
24.04.2004
24.04.2004
24.04.2004
24.04.2004
24.04.2004
23.04.2004
23.04.2004
23.04.2004
23.04.2004
23.04.2004
23.04.2004
23.04.2004
23.04.2004
22.04.2004
22.04.2004
22.04.2004
22.04.2004
22.04.2004
22.04.2004
21.04.2004
21.04.2004
21.04.2004
21.04.2004
21.04.2004
21.04.2004
21.04.2004
20.04.2004
20.04.2004
20.04.2004
20.04.2004
20.04.2004
20.04.2004
20.04.2004
20.04.2004
20.04.2004
20.04.2004
 
 

AUXILIAR
Valentim, Santana e bom senso
1. Marcelo Rebelo de Sousa tem razão: Valentim Loureiro deve suspender o seu mandato como presidente da câmara de Gondomar.
O que diz a lei
Tráfico de influência:

Art.º 335 Código Penal (CP)

Comete o crime quem abusar da sua influência junto de uma entidade pública para tentar obter uma decisão a troco de uma vantagem (patrimonial, não patrimonial ou promessa). O tráfico de influência mantém-se quando é utilizada uma interposta pessoa e a vantagem é para terceiro. Punido com pena que vai de multa a 5 anos de prisão.
Nem tudo o que apita é de ouro
Não é preciso ser um génio da astrologia, nem recorrer à bola de cristal, para adivinhar que até ao Euro o país vai viver sob o signo do "apito dourado". Depois, depende. Se ganharmos, tudo esquece-se. Mas, se não tivermos a desejada vitória, então apenas se confirma, no terreno dos resultados internacionais do futebol, a degradação a que o país chegou. De qualquer modo, o caso da Casa Pia fica em banho-maria (apesar da misteriosa demissão de Proença de Carvalho), porque se sobrepõem o major Valentim Loureiro, os árbitros corrompidos e outros que terão sido os corruptores. Aquilo que foi definido como "o sistema" começa a dar sinais de existência e todos nós suspeitamos que ficámos apenas na ponta do "iceberg".
O apito entalado
A "Operação Apito Dourado" da PJ e do Ministério Público vai saldar-se por mais um momento de ridículo e descrédito da justiça portuguesa. A menos que as buscas completas aos arquivos da Federação e da Liga de Clubes permitam obter elementos para chegar onde verdadeiramente interessa, esta "mega-operação", como gosta de dizer a PJ, que terá envolvido 150 agentes e um ano de investigações (!), está condenada a tornar-se mais um inútil e arrastado folhetim mediático-justiceiro para encher noticiários e enganar papalvos.
Procurador com currículo e uma juíza em início de carreira
O caso mais quente do futebol nacional está agora nas mãos de um procurador adjunto do Ministério Público, Carlos Teixeira, e de uma juíza de instrução do Tribunal de Gondomar, Ana Cláudia Nogueira.
O caso hora a hora
DIA 21

8h30

De um quarto piso com vista sobre o tribunal, Maria Carolina Silva clama alto e bom som a inocência do major Valentim Loureiro. Ao abanar uma bandeira laranja das autárquicas de 2001 a moradora do Bairro do Monte Castro insiste na tese. "Isto é uma injustiça. Deste muito aos pobres", grita a cinquentona. Os populares começam a concentrar-se junto ao tribunal.
Acabou-se um mundo à parte?
Durante longos anos teve-se em Portugal a sensação que existiam dois mundos distintos. Num moviam-se os cidadãos normais; o outro era o mundo do futebol. Neste último acumulavam-se as suspeitas, as acusações, as insinuações, as denúncias concretas ou gerais, mas nada parecia acontecer aos principais protagonistas.
A PJ do Porto
A investigação lançada pela Directoria do Porto da Polícia Judiciária sobre factos relacionados com a viciação de resultados desportivos e que varreu alguns dos principais orgãos de cúpula do futebol português tem, à partida, alguns méritos inegáveis mas que, infelizmente, não são a regra no mundo judiciário nacional.
Os nomes e os cargos
Nome: Valentim dos Santos Loureiro