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Referendo à despenalização do aborto
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Criado quarta-feira, 29 de Novembro de 2006 |
Última actualização terça-feira, 10 de Abril de 2007 |
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| Daniel Rocha/PÚBLICO (arquivo) |
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Jaime Gama lembrou que há um projecto de lei na comissão de especialidade, à espera do resultado do referendo
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Referendo deu ontem vitória ao "sim"
Jaime Gama prevê debate sereno sobre a nova lei do aborto
Por Lusa
12.02.2007
O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, disse hoje, em Madrid, estar convicto de que o debate sobre a nova lei do aborto vai decorrer de forma "serena" e "com normalidade" no Parlamento.
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"Decorrerá de forma serena e normal. Sempre foi até aqui", disse Jaime Gama à Lusa, em Madrid, onde hoje iniciou uma visita oficial de dois dias.
Jaime Gama destacou que o processo de debate do tema do aborto ficou marcado pela "renovação de figurantes na argumentação", com novos intervenientes, "o que marca também uma diferença em relação ao debate anterior".
O responsável lembrou que um projecto aprovado já na generalidade está actualmente em comissão de especialidade, onde estava "pendente à espera do resultado do referendo".
"Agora há condições para a comissão [do Parlamento] trabalhar o projecto, tendo em consideração a leitura política do referendo e, o mais rapidamente possível, completar um texto que esteja em condições de ser votado, ser enviado ao Presidente da República, ser promulgado e entrar em vigor", disse. "Será a comissão a avaliar o ritmo do trabalho", afirmou ainda.
O presidente da Assembleia da República disse que os resultados demonstram não haver nenhuma razão para questionar o instituto do referendo, notando que "a abstenção foi aliás menor neste referendo do que nos anteriores".
"A participação não é susceptível de gerar resultados vinculativos, mas é susceptível de gerar interpretações políticas e as ilações necessárias", afirmou.
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| O DIA DEPOIS |
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Cenários para depois do referendo
A Assembleia da República só terá de cumprir obrigatoriamente o resultado do referendo que hoje se realiza se votarem mais de metade dos eleitores recenseados. Esta determinação constitucional aplica-se tanto para a vitória do "sim" como para a vitória do "não". Se tal não acontecer, a decisão entra no plano exclusivamente político e será tomada pelos partidos com assento no Parlamento. Por Maria José Oliveira
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| PARA ALÉM DA RETÓRICA DA CAMPANHA |
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| NÚMEROS |
| 43,8 |
| por cento das mulheres aconselharam-se com o marido ou companheiro antes de decidir interromper uma gravidez, aponta um estudo da Associação Planeamento e Família, baseado numa amostra de duas mil mulheres. Os resultados do inquérito revelam ainda que 22,5 decidiu sozinha, 14,2 aconselhou-se com um familiar, 6,7 com um amigo, 6,1 com um médico/profissional de saúde e 3,7 com outra pessoa. |
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| 35 |
| por cento das mulheres que vão abortar à Clínica Los Arcos completaram o ensino secundário, 2,5 o ensino profissional, 6,6 bacharelato e 25,4 a licenciatura. O estudo - divulgado por aquela unidade de saúde privada em 2005, com base num inquérito aplicado a duas mil portugueses que se deslocaram a Mérida e a Badajoz - mostra que as mulheres que atravessam a fronteira para abortar têm um nível de escolaridade superior à média. |
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| 73 |
| é o número de episódios de internamento provocados por abortos registados como sendo ilegais em 2005 pela Direcção-Geral de Saúde. Como as mulheres tendem a não revelar que fizeram um aborto ilegal, admite-se que haja internamentos suscitados por aborto clandestino "escondidos" entre os contabilizados como abortos espontâneos (4454) ou não especificados (1861). |
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| 10.511 |
| Foi o número de episódios de internamento provocados por aborto, de acordo com dados provisórios divulgados pela Direcção-Geral de Saúde. O número manteve-se, mais ou menos, estável ao longo dos últimos dez anos: 10.396 em 1995, 10.322 em 1996, 10.407 em 1997, 10.982 em 1998, 10.536 em 1999, 10.752 em 2000, 9922 em 2001, 11.089 em 2002, 10.865 em 2003 e 10.920 em 2004. |
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| 70,2 |
| Por cento das mulheres que admitem já ter interrompido uma gravidez não foram, após tal acto, aconselhadas sobre contracepção, indica um estudo do ano passado realizado pela Associação de Planeamento Familiar com base numa amostra de duas mil mulheres. Apesar de perto de metade não estar a usar qualquer método. |
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| 64,1 |
| Por cento das mulheres que já se submeteram a um aborto cirúrgico não tiveram, depois, qualquer acompanhamento médico, segundo um estudo o ano passado realizado pela Associação de Planeamento Familiar com base numa amostra de duas mil mulheres. As 35,9 que o tiveram recorreram a um médico particular (48,1 por cento), a um centro de saúde (25,5) ou a um hospital (25,5). |
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| 19,5 |
| Por cento das mulheres que já se submeteram a um aborto cirúrgico tiveram problemas de saúde (hemorragias, perturbações emocionais, febre alta, infecção), de acordo com um estudo o ano passado realizado pela Associação de Planeamento Familiar com base numa amostra de duas mil mulheres. Para os resolver, 31,9 por cento destas recorreu a um médico particular, 21,3 a um hospital, 19,1 ao centro de saúde. |
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| 39,4 |
| por cento das mulheres que admitem já se ter submetido a um aborto cirúrgico fizeram-no numa casa particular, segundo um estudo realizado no ano passado pela Associação de Planeamento Familiar com base numa amostra de duas mil mulheres. O inquérito indica ainda 32,2 realizados em clínica privada, 18,2 em consultório médico, 6,9 em hospital público e 1,3 na própria casa. |
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| 75,7 |
| por cento das mulheres que admitem já ter interrompido uma gravidez dizem que a decisão foi muitíssimo ou muito difícil, conforme um estudo o ano passado realizado pela Associação de Planeamento Familiar com base numa amostra de duas mil mulheres. O resultado do inquérito indica ainda que apenas 12,6 consideram que a decisão não foi difícil. |
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| 72,7 |
| por cento das mulheres que admitem já ter interrompido uma gravidez fizeram-na até às dez semanas de gestação, de acordo com um estudo o ano passado realizado pela Associação de Planeamento Familiar com base numa amostra de duas mil mulheres. O resultado do inquérito indica ainda que apenas um por cento abortou à 17ª semana ou mais e que são as mulheres com maior religiosidade que mais adiam a decisão. |
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| 14,5 |
| por cento das mulheres com idades compreendidas entre os 18 e os 49 anos já interromperam, pelo menos, uma gravidez. A percentagem sobe para 20 por cento se só considerarmos as que já estiveram grávidas, segundo um estudo o ano passado realizado pela Associação de Planeamento Familiar com base numa amostra de duas mil mulheres. |
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| 49 |
| percentagem de mulheres portuguesas que recorrem à clínica espanhola Los Arcos (Mérida e Badajoz) não têm convivência afectiva com o progenitor. A maior parte é solteira (57,9 por cento) e as casadas representam 35,3 por cento, segundo um estudo divulgado pela unidade privada, em Novembro de 2005, com base numa amostra de duas mil mulheres que ali se deslocaram. |
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| 906 |
| abortos praticados ao abrigo da lei em 2005, segundo dados fornecidos pela Direcção-Geral de Saúde. O número mais do que triplicou em dez anos - 268 em 1995, 281 em 1996, 301 em 1997, 401 em 1998, 491 em 1999, 574 em 2000, 634 em 2001, 675 em 2002, 721 em 2003 e 790 em 2004. A maior parte das intervenções foi motivada por malformação fetal. |
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| TRUQUES, TIQUES E TRADIÇÕES DA CAMPANHA |
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A campanha para o referendo sobre o aborto
De um lado, há muita gente da catequese, yuppies moldados pela Opus Dei, pessoas sérias e normais; do outro, há feministas e intelectuais, antifascistas e académicos, okupas e ecologistas, pessoas sérias e normais. Ambos lutam pela vitória no referendo. Mas uns lutam mais do que os outros. No dia em que começa a campanha, o PÚBLICO mostra como se organizam no terreno os movimentos do "sim" e do "não". Por Ricardo Dias Felner
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