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Eleições EUA 2008
Criado quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
Última actualização terça-feira, 11 de Novembro de 2008
 
Reuters (arquivo)
Hillary não se esqueceu dela na noite da surpreendente vitória em New Hampshire

O mistério da mãe de Hillary
10.01.2008
 

Os amigos da família não se fazem rogados para partilhar pormenores banais sobre Dorothy Emma Howell Rodham. Gosta de ler. Gosta de viajar sozinha. Adora ir ao jardim zoológico.

Terra-a-terra e decidida, Dorothy Rodham não se parece muito fisicamente com a sua filha, a senadora Hillary Rodham Clinton. Mas mesmo que se parecesse poucas pessoas a reconheceriam, pois só raramente aparece em eventos públicos. Uma das raras vezes em que apareceu, no último Verão - durante a apresentação pública de dois retratos da sua filha e do seu genro na Smithsonian Institution - Dorothy, que tem 88 anos, sentou-se discretamente na primeira fila, agarrada ao braço da neta.

Quando perguntaram ao Presidente Bush quem era o seu filósofo favorito, ele respondeu que era Jesus Cristo - uma resposta reveladora que se transformou numa parte essencial da sua biografia. Num debate recente entre membros do Partido Democrático, Hillary deu uma resposta igualmente reveladora quando lhe perguntaram qual considerava ter sido o momento decisivo da sua vida, aquele que a decidiu a lançar-se na corrida presidencial. Hillary respondeu que aquilo que a tinha transformado na pessoa que ela é hoje tinha sido o movimento dos direitos das mulheres e a inspiração da sua mãe.

"Em termos pessoais, acho que devo tudo à minha mãe, que nunca teve oportunidade de entrar na universidade e que teve uma infância muito difícil, mas que me fez acreditar que eu podia conseguir tudo aquilo em que empenhasse", disse Hillary.

Apesar desta resposta, catorze anos depois de Hillary Clinton ter entrado na Casa Branca com o seu marido e de se ter tornado mundialmente famosa, a mulher que ela identificou como a sua influência mais marcante continua a ser um mistério.

Hillary Clinton, que se tornou famosa pela forma como conseguiu manter a sua filha Chelsea longe do escrutínio público, é ainda mais protectora da mãe do que da filha. A mãe não dá entrevistas nem se deixa fotografar - e nas entrevistas que Hillary dá recusa-se a abordar o tema.

Ao contrário da extravagante Virginia Clinton Kelley, que representou um papel importantíssimo na formação de Bill Clinton, moldando um homem socialmente extrovertido e treinado para ser presidente, Dorothy Rodham tem-se ficado pelos bastidores da carreira da sua filha.

Hillary costuma descrever a sua infância no Midwest como se tivesse saído directamente da série televisiva dos anos 50 Father Knows Best. Mas quando fala da vida da sua mãe o retrato não é tão cor-de-rosa.

"Ainda me espanto quando penso na mulher afectuosa e sensata em que a minha mãe se tornou, apesar de ter tido uma infância tão solitária", escreveu Clinton na sua autobiografia, Living History.

Nascida no seio de um casamento disfuncional entre dois pais infelizes que se viriam a divorciar em 1927, Dorothy Howell foi viver com os seus avós quando tinha oito anos. O resto da história parece tirado de um romance de Dickens. Uma vez que a avó a apanhou a bater às portas dos vizinhos para pedir guloseimas, durante o Halloween, obrigou-a a ficar de castigo no quarto durante um ano, saindo à rua apenas para ir à escola. Dorothy saiu de casa da avó aos 14 anos, pelos seus próprios meios, e arranjou emprego a tomar conta de crianças.

Hillary tem resistido a todas as tentativas que têm sido feitas para psicanalisar a sua vida. Uma biografia escrita por Gail Sheehy, publicada em 1999, Hillary"s Choice, que a retratava como uma rapariga empenhada em impressionar um pai dominador e que aprendeu a suportar o sofrimento de um mau casamento com a sua submissa mãe, foi criticada pelo seu gabinete como estando pejado de inexactidões.

Mas entre os muitos retratos positivos que tem feito da sua família próxima, Hillary Clinton também tem dado, em discursos e no seu livro, um retrato tridimensional da sua mãe que nos ajuda a compreender a sua visão do mundo.

Força tranquila

Dorothy Rodham era uma democrata, apesar do conservadorismo do seu marido, e uma mãe de família com um forte sentido do dever, que inculcou na sua filha mais velha (e a única rapariga) um imenso amor pelo estudo e uma enorme curiosidade pelo mundo.

Depois de ter vivido à sua custa durante os anos de liceu, Dorothy teve notícias da mãe, que lhe pediu que regressasse a Chicago. Dorothy agarrou com as duas mãos a oportunidade de refazer os laços com a mãe, mas apenas para descobrir que esta, que se tinha casado de novo, só estava interessada nela como sua criada.

Hillary conta que perguntou uma vez à mãe por que razão é que tinha voltado. "Eu queria com tanta força que a minha mãe me amasse", respondeu Dorothy, "que tinha de aproveitar a oportunidade e descobrir a verdade. E, quando vi que não era assim, já não tinha nenhum sítio para onde ir."

Hillary Clinton reserva palavras especialmente duras para esta avó, descrevendo-a como "uma mulher fraca e egoísta, que vivia para as telenovelas e desligada da realidade". O seu desprezo por este tipo de pessoa, somado a tudo aquilo que ouviu da sua mãe sobre as consequências do divórcio e do abandono da família, parece encaixar-se perfeitamente na imagem de disciplina e de persistência matrimonial que se tornou a sua segunda natureza.

Em 1942, a mãe de Hillary casou-se com Hugh Rodham, um enérgico e brusco caixeiro-viajante, e Hillary Rodham nasceu cinco anos depois. Os relatos do casamento referem-se com frequência a um pai com uma vontade de ferro e a uma mãe cuja força tranquila garantia a estabilidade familiar.

No livro que publicou no ano passado, A Woman in Charge: The Life of Hillary Rodham Clinton, Carl Bernstein descreveu Hugh Rodham como "duro, provocante e violento" - e não o firme-mas-carinhoso patriarca de que Hillary fala. Segundo Bernstein, para a mãe de Hillary, a vida com Hugh Rodham foi uma "dolorosa humilhação". "A sua ira era assustadora quando explodia e a família parecia por vezes à beira da desagregação", escreve Bernstein.

De acordo com vários relatos, era Dorothy Rodham quem fornecia o estímulo intelectual, a racionalidade e a estabilidade à vida familiar.

Hillary descreve a sua mãe como uma "clássica dona de casa" no meio do seu bairro suburbano de Park Ridge, uma mulher que passava o seu tempo a cozinhar, a lavar e a limpar.

Bate-lhe também

Há um episódio mãe-filha que se distingue dos restantes e que se transformou num elemento central da lenda que envolve Dorothy - e que sugere a tenacidade que ela terá querido transmitir à sua filha, que tinha quatro anos na altura em que o episódio teve lugar. Dorothy tornou a contar a história durante um programa de Oprah Winfrey onde apareceu com a filha, em 2004 - e que foi a última entrevista que concedeu até hoje.

"Tínhamo-nos mudado para uma casa nova, num novo bairro, e a Hillary costumava entrar em casa a chorar e a gritar, a dizer que um grupo de miúdos que tinham mais ou menos a idade dela lhe tinham batido. Nesse grupo havia uma miúda que tinha exactamente a idade de Hillary, Suzy, que vivia do outro lado da rua", contou Rodham. "Um dia eu disse-lhe "Hillary, isto não pode continuar. Tens de lhes mostrar que não tens medo e tens de acabar com isto. Vai ter com ela, mostra-lhe que não tens medo e se ela te bater outra vez - o que a outra miúda costumava de facto fazer - bate-lhe também"".

Clinton, na sua versão, conta que a mãe lhe disse que "naquela casa, não havia lugar para cobardes". "Anos mais tarde ela disse-me que ficou a espreitar por trás da cortina, enquanto eu me enchia de coragem e atravessava a rua", escreveu Clinton nas suas memórias. "Voltei uns minutos depois, orgulhosíssima da minha vitória."

A moral da história - que a sua mãe a ensinou a responder aos ataques - reaparece nas declarações dos amigos da família, que apontam a tenacidade e o espírito de sobrevivência como um dos principais traços que mãe e filha partilham.

"É um sentimento de auto-confiança", diz Betsy Ebeling, uma amiga de infância de Hillary, que se recorda do cuidado que a mãe da sua amiga punha em alimentar a auto-estima da filha.

"Dorothy tinha uma visão muito avançada para o seu tempo, achava que as crianças tinham de se sentir bem na sua pele", diz Patty H. Criner, uma amiga de Rodham em Little Rock. "Dorothy era uma boa mãe, passava imenso tempo com os filhos, dava-lhes imensa atenção e sempre achou que era preciso deixar que as crianças desenvolvessem a sua personalidade e pensassem por si próprias, como indivíduos autónomos, o que reforçava imenso a sua auto-confiança."

Mas, ao mesmo tempo, os amigos mais próximos fazem questão de dizer que Rodham não exigia mais dos seus filhos do que é normal qualquer pai fazer. "Acho que ela sempre pensou que os filhos podiam conseguir tudo aquilo que quisessem", diz Criner.

Ebeling recorda que, durante a sua infância, Dorothy "gostava muito de ficar em casa" e encorajava a sua filha a ler. "Tenho a certeza de que havia imensos miúdos da nossa idade com mães que passavam a vida em reuniões da associação de pais e com uma vida social muito activa", mas Dorothy "não era assim".

Dorothy Rodham tem exprimido muitas vezes a sua ambivalência em relação às pressões da vida pública. Na Oprah, perguntaram-lhe se gostaria que a sua filha se candidatasse à presidência. "Acho que não desejava a ninguém a carga de trabalho diário que isso deve representar, para além de tudo o mais", respondeu Dorothy, "mas ela seria uma grande presidente. Tenho a certeza disso".

Feminista?

É difícil dizer se esta mulher, que sempre assumiu um papel tão tradicional na sua vida, partilha a visão feminista da sua filha.

"É verdade que ela não trabalhou fora de casa, mas Dorothy teve uma experiência de vida riquíssima e aproveitou ao máximo as suas experiências como mãe e, quando os filhos já estavam criados, continuou a tirar o máximo proveito da vida", diz Melanne Verveer, uma amiga de Hillary que foi a sua chefe de gabinete na Casa Branca. "Será que ela acreditava que todos os seus filhos deviam ter as mesmas oportunidades? Certamente. Será que isso faz dela uma feminista? Tudo depende de como se define a palavra. Mas eu diria que ela é uma mulher moderna."

Dorothy nunca falou publicamente sobre o casamento da filha, ainda que pouco antes do escândalo que levou ao pedido de impeachment de Bill Clinton ela tenha manifestado o seu apoio ao Presidente.

"Toda a gente sabe que só há uma pessoa no mundo que pode dizer realmente a verdade sobre um homem e essa pessoa é a sua sogra", dizia Dorothy numa declaração divulgada durante a Convenção Nacional Democrática de 1996.

Nessa altura, o caso entre Bill Clinton e Monica Lewinsky já tinha tido lugar, ainda que só fosse tornado público passado 18 meses, expondo a relação do casal Clinton a uma dura prova.

Durante os anos da sua filha como primeira-dama, Dorothy continuou a viver em Little Rock, para onde ela e o seu marido se tinham mudado em 1987, para ficar mais perto do casal Clinton.

Depois de Hillary ter sido eleita para o Senado, em 2000, Dorothy mudou-se para Washington e recebeu a sua filha no seu apartamento enquanto a casa dos Clinton era renovada. Agora Dorothy vive com a senadora de Nova Iorque na casa dos Clintons, em Washington.

Segundo contam os amigos, Dorothy costuma passar algum tempo com o filho Tony e o neto Zachary. E está sempre em contacto com a neta Chelsea, que vive em Nova Iorque.

"Ela gosta de ficar perto do seu ninho", diz Criner, "ao pé dos filhos e dos netos."

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QUEM É QUEM
Barack Obama: "Há qualquer coisa de espiritual nele"
Teve que viajar de Chicago até uma aldeia queniana junto das margens do Lago Vitória para se encontrar. A vida de Barack Obama, o candidato democrata à Casa Branca, dava um livro. Ele já o escreveu. Aos 33 anos.
Os principais candidatos republicanos e democratas
A nomeação do candidato de cada um dos dois partidos está a ser tão disputada como a própria eleição presidencial



REPORTAGEM - RITA SIZA NOS EUA
Reportagem: O destino da América na ponta dos dedos
Eram 19h30 de segunda-feira quando Tom Krieglstein chegou ao Grant Park de Chicago, o bilhete para entrar no último comício da campanha presidencial de Barack Obama, acabadinho de imprimir. “Olhei para todo o lado, fui perguntar a um polícia onde começava a fila para entrar. Não havia, eu era o primeiro!”, informa.
Robocall, o telefonema que diz para ter cuidado com Obama
A campanha do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama - e alguns dirigentes republicanos -, protestou contra uma série de chamadas telefónicas automáticas (robocalls) em nome de John McCain, acusando o seu opositor de estar ligado a terroristas e não ser firme na defesa da segurança nacional.
"De repente vimo-nos na posição de poder decidir tudo"
Namoro ao voto dos hispânicos no Texas faz-se com serenatas
Nova Iorque terá sempre Hillary, quer ela ganhe quer perca
"Se não puder ser Rudy, que seja McCain"
A raça é uma dessas coisas que afinal a América ainda não ultrapassou
Só um estado onde a religião não conta podia ter eleito um mórmon
"Estou a pedir com jeitinho"

OPINIÃO
Crónica de Rui Tavares: Um dia histórico
Não foi a demografia americana que mudou. Foi o eleitorado que mudou. Mudou porque o Partido Democrático finalmente encontrou um discurso que reverbera nesse eleitorado. Neste momento, Obama tem mais de 200 dos votos eleitorais garantidos com a Florida e com os estados do Pacífico ultrapassará os 270. Neste momento sabemos que Obama vai ganhar as eleições. Falta saber a dimensão da vitória no Senado e do voto sobre o casamento gay na Califórnia que é muito importante como barómetro cultural dos Estados Unidos.
Eu quase votei
Não sou cidadã dos Estados Unidos da América, mas, hoje, quase votei. Phillip Jackson, um agente educativo comunitário que conheci em Bronzeville, o coração negro de Chicago, convidou-me a acompanhar a sua ida às urnas, na secção de voto dos Lincoln Perry Apartments. Mas nunca pensei que passasse da porta ou, vá lá, da mesa de voto.
Editorial: O dia em que a América vai mudar
4 de Novembro de 2008. Como será esta data recordada no futuro? Poucas vezes tantos colocaram tamanhas expectativas numas eleições. Mesmo numas eleições nos Estados Unidos da América, o mais rico e o mais poderoso país do mundo nos dias que vivemos. Apesar de mal termos entrado no século XXI, a escolha eleitoral para a sucessão de George W. Bush já foi até crismada de "eleição do século".
A governadora sobrevive e dá a volta ao texto, mas o senador também tem um lado humano
Quando deixou o palco da Universidade de Washington, em St. Louis, onde decorreu o debate entre os dois concorrentes à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin, podia gabar-se de ter feito exactamente o que a sua campanha lhe pedira: não cometer erros, falar para a classe média americana, entusiasmar as bases republicanas, atacar o candidato democrata Barack Obama.
Obama: o rei estrangeiro?, por Paulo Castro Seixas
Obama versus Hillary na política de defesa, por Loureiro dos Santos
Os planos de saúde de Barack e de Hillary, por António Correia de Campos
Obama ou a (im)possibilidade do sonho
O maior espectáculo do mundo, parte II
Iowa ou como tudo pode acontecer nas eleições americanas

ENTREVISTA
É quem tem o cargo que o faz, mas o poder do "vice" está a subir
Num café de Washington em que se serve "comida, arte e política", Jeremy Lott, autor do livro The Warm Buckett Brigade, sobre os vice-presidentes dos Estados Unidos, falou ao PÚBLICO sobre as eleições americanas. Lott, que escreve opinião ainda para jornais americanos e não só (é colaborador do britânico Guardian) assume-se como conservador, mas nestas eleições não vai votar republicano.
"Campanha de McCain não foi suficientemente negativa", diz analista de sondagens Robert Moran
Robert Moran é um "pollster" [especialista em sondagens] republicano, vice-presidente da empresa de sondagens Strategy One. Falando de sondagens e estratégias de campanha nestas eleições, que considera um referendo a Obama, Moran defende a eficácia da campanha negativa - que, em sua opinião, McCain devia ter usado mais.
Entrevista Michael O' Hanlon: Obama ainda pode perder por causa do Iraque
Os jornalistas gostam mais de Obama
Peverill Squire: "os estados do Iowa e New Hampshire têm sempre uma influência desproporcionada no desfecho da eleição"


REPORTAGEM
Reportagem: festejos em Harvard, onde Obama estudou Direito
Juntaram-se na estação de metro da Universidade de Harvard, a mesma onde Barack Obama estudou direito, a agitar a bandeira dos Estados Unidos. Aos poucos, ia chegando mais gente e não tardou a que se entoassem cânticos e slogans. “Yes, we can!”, “Yes, we can”, as mesmas palavras que tinham ouvido minutos antes no discurso de vitória de Barack Obama.
Reportagem: Republicanos tristes mas conformados
Havia algo de conformado na festa da candidatura de John McCain na noite eleitoral. “Reconhecer a derrota? Já?”, questionava uma apoiante de McCain que acabava de chegar ao Blitmore Hotel. Não parecia assim tão chocada ou desolada. “Não vou perder a cabeça se o meu candidato não ganhar. Mas reconhecer a derrota já?”
Hard Rock Lisboa: em noite de festa, Obama e McCain ficam para a sobremesa
Dez horas da noite. A fila à entrada do Hard Rock Lisboa prolonga-se rua abaixo e a noite parece animada. Embaixadores de vários países, diplomatas, algumas figuras públicas e muitos desconhecidos. Lá dentro, a decoração honra a data e as bandeirinhas dos Estados Unidos misturam-se com as guitarras e discos de platina dos vários artistas. Circulam as asas de frango, os nachos e "onion rings" pelo meio de uma massa compacta de gente que, de olhos postos na emissão da CNN no ecrã gigante, aproveita para pôr a conversa em dia enquanto não chegam as novidades.
Reportagem: Muito entusiasmo e algum receio no bairro negro de Chicago
"It's time for a change" – é tempo de mudança. Os cidadãos comuns de Bronzeville, o bairro negro de Chicago, resumem assim o seu entusiasmo, comedido e de poucas palavras, não vá o diabo tecê-las, face aos resultados eleitorais que se avizinham, que, acreditam, serão favoráveis ao candidato democrata, Barack Obama.
Reportagem: Tudo a postos no palco-Obama
Circulando mesmo junto ao gigantesco Lago Michigan, em direcção à baixa de Chicago e ao ninho de arranha-céus, o Grant Park aparece do lado direito. A primeira visão do local onde, provavelmente, o senador do Illinois Barack Obama passará a ser o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos da América é uma fila de casas-de-banho portáteis azuis, semelhantes às que se usam nas Queimas das Fitas universitárias.
Reportagem: No último comício, McCain preferiu jogar em casa
Uma pequena multidão esperava, ao frio do deserto, John McCain para o último comício de campanha ontem em Prescott, Arizona. Esperaram uma, duas, três horas. Gritaram e assobiaram sempre que lhes foi pedido. Quando John e Cindy McCain chegaram já passava da meia-noite e meia – muitas crianças já dormiam no colo da mãe ou do pai. Mas ninguém arredou pé.
Reportagem: 5,2 milhões de pessoas não têm direito a votar na maior democracia do mundo
Um rapaz negro, magro, um capuz cai-não-cai na cabeça, está encostado a um poste na cidade cinzenta de Wilkes-Barre, Pensilvânia, perto da estação de autocarros. Aceita falar com uma jornalista. William, chama-se ele, não revela o apelido - "ponha só M." - talvez porque dali a pouco estará a contar que cometeu um crime grave, o que não lhe permitirá exercer o direito de voto.
Reportagem: Os negros republicanos no momento do dilema
C.J. Jordan anda muito ocupada e acha que este é o melhor sinal de que a campanha do republicano John McCain está a conseguir fazer passar a sua mensagem à comunidade negra dos Estados Unidos. O seu trabalho como coordenadora para o grupo de republicanos afro-americanos parece bastante difícil - convencer um grupo que já é mais próximo dos democratas a não votar no primeiro negro que tem hipóteses de ser presidente.
Reportagem: Empresários votam McCain e assalariados preferem Obama no ‘little Portugal’ perto de Washington
Os empresários vão votar em John McCain, os trabalhadores por conta de outrem preferem Barack Obama. Era esta a divisão eleitoral entre os portugueses de Manassas, o “little Portugal” apenas a meia centena de quilómetros da capital política, Washington D.C., que se reuniram no fim-de-semana, como é hábito, no centro de convívio daquela localidade. Mas muitos ainda não tinham decidido sequer se iam votar.
As Mães Wal-Mart votam em Obama
Jamie Waugh leva os dois filhos no carrinho de compras. Não trabalha - "pelo menos, não fora de casa!", diz. "Não há assim tantos empregos que valham a pena." Acaba por vir ao Wal-Mart "vezes de mais". Jamie, de 24 anos, tem o marido no Iraque. "É duro", suspira, mas muda rapidamente de assunto, mexendo na pala do boné cor-de-rosa, para falar de política. Vai votar, e vai votar no candidato democrata: "Sou uma grande apoiante de Obama". Já o marido vai votar McCain. "Sei que ele já votou por correspondência... vamos neutralizar o voto um do outro", diz.
Axelrod, o homem que criou o slogan Yes We Can
Parece politicamente incorrecto, mas uma das primeiras coisas que salta à vista em David Axelrod é o seu aspecto. Não são só as fotos em que aparece com um blusão de cabedal, não é só o bigode. É também, como notou a revista Economist, um certo ar tristonho. Um ar tristonho que aparentemente é contraditório com a mensagem de optimismo e esperança - foi ele que cunhou o slogan Yes We Can, primeiro para outro político negro, depois para Barack Obama, que, diz-se, abraçou estas palavras com relutância.
Republicanos mostram o músculo e mudam para estratégia agressiva
A candidatura do republicano John McCain preparou uma "campanha agressiva" contra Barack Obama, avançando com uma série de anúncios negativos e uma nova linha de ataques que põem em causa o carácter e o patriotismo do senador democrata.
Eleições nos EUA: Duelo dos vice não mudou a campanha
O grande teste seriam os títulos dos jornais desta manhã: terá o debate vice-presidencial da madrugada de ontem sido tão importante que conseguiu ter efeitos para além do ciclo noticioso de 24 horas? Ou será que, depois dos rios de tinta gastos a antecipar mais um momento histórico na campanha eleitoral, a montanha pariu um rato?