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Eleições EUA 2008
Criado quarta-feira, 17 de Outubro de 2007
Última actualização terça-feira, 11 de Novembro de 2008
 
Jim Young/PÚBLICO
Michelle começou de forma discreta na campanha mas acabou por ser uma surpresa

Mulher de Barack parece ser a sua arma secreta
Michelle Obama A "princesa africana" prepara-se para a Casa Branca
Por Clara Barata
07.02.2008
 

A interrogação se os americanos vão eleger a primeira mulher ou o primeiro negro para a Casa Branca já não tem novidade. A nova pergunta é: estarão prontos para a estreia de uma primeira-dama negra? Se for Michelle Obama, a quem as revistas muitas vezes chamam "uma princesa africana", sublinhando o seu "porte real", a resposta parece certa.

Alta e longilínea, como os bonecos que os estilistas costumam desenhar dos seus modelos (tem perto de 1,80m), Michelle tornou-se, nos últimos tempos, uma estrela de pleno direito, ao lado de Barack. Elegante num fato cor-de-rosa ou num simples vestido preto com o decote decorado por uma fiada de pérolas presidenciais, ou até numa camisa branca sem alças e calças claras de corte masculino, tem sido vê-la a encher os ecrãs nos comícios, lado a lado com as mulheres da família Kennedy, ou com Oprah Winfrey.

Ou então sozinha, exortando os eleitores a votarem no marido - um homem como todos os outros, diz ela, que não arruma a manteiga depois de a espalhar nas torradas, mas ainda assim alguém especial, que pode mesmo fazer a diferença. "Estou ansiosa por mudança - agora. Não daqui a oito anos, não daqui a 12, mas já. Não temos tempo para esperar", costuma ela dizer, constatou a revista Vanity Fair.

"Ela toca as mesmas notas que ele - surgem as palavras "esperança", "mudança" e "sonho", como seria de prever - mas tem-se a sensação de que ela é o centro de controlo em terra para as ideias elevadas do marido, a prosa para a poesia dele. Ela tem um estilo mais directo, o da mulher comum, embora uma mulher muito inteligente e com muito sucesso", escreveu sobre Michelle Obama a colunista do jornal Baltimore Sun Jean Marbella. Essa ligação à terra, a franqueza do discurso e também um sentido de humor que não poupa as pequenas misérias de Barack - como ele ressonar e cheirar um bocado mal de manhã, ao acordar - fazem com que muitos digam que Michelle é a arma secreta do candidato nesta eleição.

"Uhhhh, estás a brincar!"
Ela começou discreta na campanha, confessando a sua relutância inicial quanto à enorme aventura em que o marido se lançou, apenas dois anos depois do que já tinha sido um grande tremor de terra na sua vida de família - a eleição de Barack para o Senado, que fez com que ela ficasse em Chicago com as duas filhas (Malia, de nove anos, e Sasha, de seis), enquanto ele passava os dias úteis em Washington.

Quando o marido lhe disse que estava a pensar candidatar-se à presidência dos Estados Unidos, ela ficou espantada. "Só pensei - uhhhh, estás a brincar! Não, não é para já, pois não?", contou Michelle à Vanity Fair. "Tínhamos de falar. Tinha de compreender, com o coração e com a cabeça, como é que isto iria funcionar para mim, e se eu estaria confortável. Ele não se candidataria se não tivesse a certeza de que eu me sentia bem com isso, porque é um grande sacrifício."

Portanto, a candidatura de Barack Obama esteve sob o fio da navalha, enquanto Michelle concentrou nela os holofotes da razão e da emoção, que fazem dela uma advogada especialista em resolver assuntos complicados no hospital académico da Universidade de Chicago - do qual é vice-presidente - e que lhe valeu o cognome The Closer entre o staff da campanha. "Toda a gente na família tem medo dela", brincou o irmão de Michelle, Craig Robinson. Ela não gosta de perder - era por isso que não gostava de participar em jogos de equipa quando era pequena, e ainda amua um bocado se perde num jogo de tabuleiro, mesmo com 44 anos feitos, contou o irmão à Vanity Fair.

Depois de aceitar a ideia de que o seu marido, uma daquelas pessoas que parece fadada para fazer algo de importante na vida, tinha um calendário surpreendentemente mais acelerado do que ela esperava, Michelle empenhou-se a fundo.

"Para mim, o que se está a passar é que estamos a candidatar-nos a Presidente dos EUA. Eu, Barack, Sasha, Malia, a minha mãe, o meu irmão, as irmãs dele - estamos todos na corrida", diz Michelle Obama.

A mostra de que não tinha entrado nesta violenta competição para perder é que, uns dias antes de Barack anunciar que se candidatava, ela o obrigou a deixar de fumar. "Usou pensos de nicotina para combater o vício?", perguntou a Vanity Fair. "Michelle Obama!", respondeu com uma gargalhada o cunhado. "Ela é que é um grande emplastro!"

Uma mulher comum
Michelle tem sido importante para captar o voto feminino para Barack Obama - e em especial o das mulheres negras, divididas entre votar na primeira mulher com hipóteses reais de se tornar Presidente ou no primeiro negro que pode mesmo chegar à Casa Branca.

Ela apresenta-se como uma mulher comum, que conhece os problemas de conjugar trabalho, carreira, educação dos filhos, dar-lhes o carinho necessário para construir um lar estável e acolhedor. Quando participa em acções de campanha, costuma apanhar um avião de madrugada e apanhar outro de volta para Chicago, antes do jantar, para chegar a tempo de aconchegar as filhas antes de dormir. "Todas as manhãs quando acordo penso como é que hei-de conseguir o próximo pequeno milagre de chegar ao fim do dia", cita-a o New York Times.

Fazer alguma coisa para corrigir os desequilíbrios que a vida moderna provoca nas famílias é precisamente um dos seus objectivos se chegar a primeira-dama. De resto, diz não gostar da política: para ela é um jogo que não gosta de jogar. Tal como o marido, concorre com base na sua biografia, apresenta como credenciais a sua experiência de vida.

O objectivo dela sempre foi ter uma família que apoiasse ao máximo os filhos - como o que ela teve no pequeno apartamento numa zona pobre de Chicago onde cresceu. O pai trabalhava para a companhia das águas, e tinha esclerose múltipla. A mãe era secretária. O meio económico de onde é originária não fazia prever que acabasse por se formar em Direito em Princeton e Harvard, duas das mais prestigiadas universidades norte-americanas. Mas ela era uma criança sobredotada, descoberta aos quatro anos, e teve acesso a várias bolsas de formação.

Conheceu Barack no escritório de advocacia de Chicago onde estava a trabalhar e para onde ele foi estagiar. "Este tipo deve ser esquisito", recorda ter pensado ao ler o seu nome. Para ele, foi amor à primeira vista, mas ela resistiu aos seus convites para sair durante um mês. No entanto, passado pouco tempo, já eram de tal modo uma equipa, que quando Michelle estava a pensar sair da empresa para ir trabalhar para o município, pediu à futura chefe que recebesse Obama, que era já seu noivo, porque queria a opinião dele antes de aceitar a oferta. Casaram-se em 1992.

Agora ou nunca
Se Hillary e Bill Clinton se tornaram o paradigma do casal político - elejam um e levam outro de graça, brincava Bill antes de ser eleito pela primeira vez, em 1992 -, Michelle e Obama são uma versão menos politizada de um casal que actua como uma equipa.

Mas ela não representa o papel tradicional da mulher de um político: ninguém a apanhou com o olhar adorador que Nancy Reagan exibia sempre, sem falta, quando Ronald discursava. Pelo contrário: insiste em apresentá-lo como uma pessoa comum: um marido que deixa a meias no chão em vez de as pôr no cesto da roupa suja, ou que uma vez se foi embora, deixando-a a braços com uma inundação caseira provocada por uma sanita entupida. A ideia é mostrar que ninguém é perfeito, e que mesmo os melhores líderes têm falhas. "Adoro o meu marido, acho que é um dos homens mais brilhantes que conheci.

Mas não é perfeito e não quero que o mundo o veja como perfeito", explicou à Vanity Fair. "Acho que um dos nossos problemas como nação é que queremos líderes com qualidades que não são realistas."

Estes arroubos de humor sarcástico, porém, já lhe valeram críticas. "O meu marido adora o meu sentido de humor e gozamos um com o outro sem dar tréguas. Mas sou um bocado sarcástica e sinto que tenho de me controlar", justificou-se.

Isso não a impede de dizer que terá de deixar a carreira de lado se Barack for eleito. O hospital onde trabalha atende pessoas sem seguro de saúde e tenta envolvê-las em programas de cuidados de saúde preventivos. "Se eu sentisse que era mais importante, era o que faria. Mas o principal objectivo é ter um bom Presidente - alguém em quem acredito, como Barack, que vai mesmo concentrar-se nas necessidades das pessoas comuns. Fazer com que ele seja eleito é a melhor maneira de conseguir o que estou a tentar obter no hospital", disse Michelle à Vanity Fair.

E se ela está na corrida, é mesmo para ganhar, e é para ganhar desta vez: "Para mim, é agora ou nunca. Não vamos continuar a concorrer uma e outra vez. Agora estamos frescos, abertos, ousados, sem medo. Isso vai-se perdendo com o tempo. Barack ainda não é cauteloso; está pronto a mudar o mundo e todos precisamos disso. Se for para ir com cautelas, prefiro que seja outro a avançar", disse à revista americana. A candidatura "tem um grande factor de inconveniência, e se vamos desenraizar as nossas vidas, é para mudar de forma radical o significado de ser Presidente dos Estados Unidos."

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QUEM É QUEM
Barack Obama: "Há qualquer coisa de espiritual nele"
Teve que viajar de Chicago até uma aldeia queniana junto das margens do Lago Vitória para se encontrar. A vida de Barack Obama, o candidato democrata à Casa Branca, dava um livro. Ele já o escreveu. Aos 33 anos.
Os principais candidatos republicanos e democratas
A nomeação do candidato de cada um dos dois partidos está a ser tão disputada como a própria eleição presidencial



REPORTAGEM - RITA SIZA NOS EUA
Reportagem: O destino da América na ponta dos dedos
Eram 19h30 de segunda-feira quando Tom Krieglstein chegou ao Grant Park de Chicago, o bilhete para entrar no último comício da campanha presidencial de Barack Obama, acabadinho de imprimir. “Olhei para todo o lado, fui perguntar a um polícia onde começava a fila para entrar. Não havia, eu era o primeiro!”, informa.
Robocall, o telefonema que diz para ter cuidado com Obama
A campanha do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama - e alguns dirigentes republicanos -, protestou contra uma série de chamadas telefónicas automáticas (robocalls) em nome de John McCain, acusando o seu opositor de estar ligado a terroristas e não ser firme na defesa da segurança nacional.
"De repente vimo-nos na posição de poder decidir tudo"
Namoro ao voto dos hispânicos no Texas faz-se com serenatas
Nova Iorque terá sempre Hillary, quer ela ganhe quer perca
"Se não puder ser Rudy, que seja McCain"
A raça é uma dessas coisas que afinal a América ainda não ultrapassou
Só um estado onde a religião não conta podia ter eleito um mórmon
"Estou a pedir com jeitinho"

OPINIÃO
Crónica de Rui Tavares: Um dia histórico
Não foi a demografia americana que mudou. Foi o eleitorado que mudou. Mudou porque o Partido Democrático finalmente encontrou um discurso que reverbera nesse eleitorado. Neste momento, Obama tem mais de 200 dos votos eleitorais garantidos com a Florida e com os estados do Pacífico ultrapassará os 270. Neste momento sabemos que Obama vai ganhar as eleições. Falta saber a dimensão da vitória no Senado e do voto sobre o casamento gay na Califórnia que é muito importante como barómetro cultural dos Estados Unidos.
Eu quase votei
Não sou cidadã dos Estados Unidos da América, mas, hoje, quase votei. Phillip Jackson, um agente educativo comunitário que conheci em Bronzeville, o coração negro de Chicago, convidou-me a acompanhar a sua ida às urnas, na secção de voto dos Lincoln Perry Apartments. Mas nunca pensei que passasse da porta ou, vá lá, da mesa de voto.
Editorial: O dia em que a América vai mudar
4 de Novembro de 2008. Como será esta data recordada no futuro? Poucas vezes tantos colocaram tamanhas expectativas numas eleições. Mesmo numas eleições nos Estados Unidos da América, o mais rico e o mais poderoso país do mundo nos dias que vivemos. Apesar de mal termos entrado no século XXI, a escolha eleitoral para a sucessão de George W. Bush já foi até crismada de "eleição do século".
A governadora sobrevive e dá a volta ao texto, mas o senador também tem um lado humano
Quando deixou o palco da Universidade de Washington, em St. Louis, onde decorreu o debate entre os dois concorrentes à vice-presidência dos EUA, Sarah Palin, podia gabar-se de ter feito exactamente o que a sua campanha lhe pedira: não cometer erros, falar para a classe média americana, entusiasmar as bases republicanas, atacar o candidato democrata Barack Obama.
Obama: o rei estrangeiro?, por Paulo Castro Seixas
Obama versus Hillary na política de defesa, por Loureiro dos Santos
Os planos de saúde de Barack e de Hillary, por António Correia de Campos
Obama ou a (im)possibilidade do sonho
O maior espectáculo do mundo, parte II
Iowa ou como tudo pode acontecer nas eleições americanas

ENTREVISTA
É quem tem o cargo que o faz, mas o poder do "vice" está a subir
Num café de Washington em que se serve "comida, arte e política", Jeremy Lott, autor do livro The Warm Buckett Brigade, sobre os vice-presidentes dos Estados Unidos, falou ao PÚBLICO sobre as eleições americanas. Lott, que escreve opinião ainda para jornais americanos e não só (é colaborador do britânico Guardian) assume-se como conservador, mas nestas eleições não vai votar republicano.
"Campanha de McCain não foi suficientemente negativa", diz analista de sondagens Robert Moran
Robert Moran é um "pollster" [especialista em sondagens] republicano, vice-presidente da empresa de sondagens Strategy One. Falando de sondagens e estratégias de campanha nestas eleições, que considera um referendo a Obama, Moran defende a eficácia da campanha negativa - que, em sua opinião, McCain devia ter usado mais.
Entrevista Michael O' Hanlon: Obama ainda pode perder por causa do Iraque
Os jornalistas gostam mais de Obama
Peverill Squire: "os estados do Iowa e New Hampshire têm sempre uma influência desproporcionada no desfecho da eleição"


REPORTAGEM
Reportagem: festejos em Harvard, onde Obama estudou Direito
Juntaram-se na estação de metro da Universidade de Harvard, a mesma onde Barack Obama estudou direito, a agitar a bandeira dos Estados Unidos. Aos poucos, ia chegando mais gente e não tardou a que se entoassem cânticos e slogans. “Yes, we can!”, “Yes, we can”, as mesmas palavras que tinham ouvido minutos antes no discurso de vitória de Barack Obama.
Reportagem: Republicanos tristes mas conformados
Havia algo de conformado na festa da candidatura de John McCain na noite eleitoral. “Reconhecer a derrota? Já?”, questionava uma apoiante de McCain que acabava de chegar ao Blitmore Hotel. Não parecia assim tão chocada ou desolada. “Não vou perder a cabeça se o meu candidato não ganhar. Mas reconhecer a derrota já?”
Hard Rock Lisboa: em noite de festa, Obama e McCain ficam para a sobremesa
Dez horas da noite. A fila à entrada do Hard Rock Lisboa prolonga-se rua abaixo e a noite parece animada. Embaixadores de vários países, diplomatas, algumas figuras públicas e muitos desconhecidos. Lá dentro, a decoração honra a data e as bandeirinhas dos Estados Unidos misturam-se com as guitarras e discos de platina dos vários artistas. Circulam as asas de frango, os nachos e "onion rings" pelo meio de uma massa compacta de gente que, de olhos postos na emissão da CNN no ecrã gigante, aproveita para pôr a conversa em dia enquanto não chegam as novidades.
Reportagem: Muito entusiasmo e algum receio no bairro negro de Chicago
"It's time for a change" – é tempo de mudança. Os cidadãos comuns de Bronzeville, o bairro negro de Chicago, resumem assim o seu entusiasmo, comedido e de poucas palavras, não vá o diabo tecê-las, face aos resultados eleitorais que se avizinham, que, acreditam, serão favoráveis ao candidato democrata, Barack Obama.
Reportagem: Tudo a postos no palco-Obama
Circulando mesmo junto ao gigantesco Lago Michigan, em direcção à baixa de Chicago e ao ninho de arranha-céus, o Grant Park aparece do lado direito. A primeira visão do local onde, provavelmente, o senador do Illinois Barack Obama passará a ser o primeiro Presidente negro dos Estados Unidos da América é uma fila de casas-de-banho portáteis azuis, semelhantes às que se usam nas Queimas das Fitas universitárias.
Reportagem: No último comício, McCain preferiu jogar em casa
Uma pequena multidão esperava, ao frio do deserto, John McCain para o último comício de campanha ontem em Prescott, Arizona. Esperaram uma, duas, três horas. Gritaram e assobiaram sempre que lhes foi pedido. Quando John e Cindy McCain chegaram já passava da meia-noite e meia – muitas crianças já dormiam no colo da mãe ou do pai. Mas ninguém arredou pé.
Reportagem: 5,2 milhões de pessoas não têm direito a votar na maior democracia do mundo
Um rapaz negro, magro, um capuz cai-não-cai na cabeça, está encostado a um poste na cidade cinzenta de Wilkes-Barre, Pensilvânia, perto da estação de autocarros. Aceita falar com uma jornalista. William, chama-se ele, não revela o apelido - "ponha só M." - talvez porque dali a pouco estará a contar que cometeu um crime grave, o que não lhe permitirá exercer o direito de voto.
Reportagem: Os negros republicanos no momento do dilema
C.J. Jordan anda muito ocupada e acha que este é o melhor sinal de que a campanha do republicano John McCain está a conseguir fazer passar a sua mensagem à comunidade negra dos Estados Unidos. O seu trabalho como coordenadora para o grupo de republicanos afro-americanos parece bastante difícil - convencer um grupo que já é mais próximo dos democratas a não votar no primeiro negro que tem hipóteses de ser presidente.
Reportagem: Empresários votam McCain e assalariados preferem Obama no ‘little Portugal’ perto de Washington
Os empresários vão votar em John McCain, os trabalhadores por conta de outrem preferem Barack Obama. Era esta a divisão eleitoral entre os portugueses de Manassas, o “little Portugal” apenas a meia centena de quilómetros da capital política, Washington D.C., que se reuniram no fim-de-semana, como é hábito, no centro de convívio daquela localidade. Mas muitos ainda não tinham decidido sequer se iam votar.
As Mães Wal-Mart votam em Obama
Jamie Waugh leva os dois filhos no carrinho de compras. Não trabalha - "pelo menos, não fora de casa!", diz. "Não há assim tantos empregos que valham a pena." Acaba por vir ao Wal-Mart "vezes de mais". Jamie, de 24 anos, tem o marido no Iraque. "É duro", suspira, mas muda rapidamente de assunto, mexendo na pala do boné cor-de-rosa, para falar de política. Vai votar, e vai votar no candidato democrata: "Sou uma grande apoiante de Obama". Já o marido vai votar McCain. "Sei que ele já votou por correspondência... vamos neutralizar o voto um do outro", diz.
Axelrod, o homem que criou o slogan Yes We Can
Parece politicamente incorrecto, mas uma das primeiras coisas que salta à vista em David Axelrod é o seu aspecto. Não são só as fotos em que aparece com um blusão de cabedal, não é só o bigode. É também, como notou a revista Economist, um certo ar tristonho. Um ar tristonho que aparentemente é contraditório com a mensagem de optimismo e esperança - foi ele que cunhou o slogan Yes We Can, primeiro para outro político negro, depois para Barack Obama, que, diz-se, abraçou estas palavras com relutância.
Republicanos mostram o músculo e mudam para estratégia agressiva
A candidatura do republicano John McCain preparou uma "campanha agressiva" contra Barack Obama, avançando com uma série de anúncios negativos e uma nova linha de ataques que põem em causa o carácter e o patriotismo do senador democrata.
Eleições nos EUA: Duelo dos vice não mudou a campanha
O grande teste seriam os títulos dos jornais desta manhã: terá o debate vice-presidencial da madrugada de ontem sido tão importante que conseguiu ter efeitos para além do ciclo noticioso de 24 horas? Ou será que, depois dos rios de tinta gastos a antecipar mais um momento histórico na campanha eleitoral, a montanha pariu um rato?